ENERGIA
CPFL Piratininga deve
explicações
FONTE: JORNAL A TRIBUNA
SEGUNDA-FEIRA, 30 DE JANEIRO DE 2012
EDITORIAL
Estão circulando com
insistência, e são alvo de grandes preocupações por parte
dos poderes públicos, empresários e a população em geral,
notícias de que a CPFL Piratininga, distribuidora de energia
na região, irá transferir o seu Centro de Operações de
Santos para Sorocaba. O temor é de que, sem uma unidade
técnica em sua própria área de atuação, a qualidade dos
serviços da empresa decaia,, e os apagões, que ultimamente
têm acontecido com anormal frequência em nossas cidades,
se,tornem ainda mais comuns. O presidente do Sindicato dos
Urbanitários, Marcos Sérgio Duarte, que reúne os
trabalhadores do setor, confirma o risco e, para além do
corte de empregos em âmbito regional, prevê que a mudança
trará consequências altamente negativas, já que as equipes
de Sorocaba, não familiarizadas com o desenho urbano da
Baixada Santista, certamente terão maiores dificuldades, à
distância, para restabelecer o fornecimento de energia,
quando das interrupções. Ressalta o dirigente sindical,
aliás, que, no período entre meia noite e 6horas da manhã, o
controle do litoral já é realizado no interior.
Pelo exposto, o que se
prenuncia é que vamos entrar numa situação de insegurança no
que respeita ao fornecimento de energia elétrica, e isto, em
pleno século 21, é simplesmente inadmissível. De fato, não
se pode aceitar que uma região das mais desenvolvidas do
País, com cerca de 1,7 milhão de moradores fixos, um
movimento turístico que envolve anualmente milhões de
pessoas, e atividade econômica das mais dinâmicas, com o
Porto de Santos e o parque petroquímico de Cubatão, fique
vulnerável, ou tenha um flanco aberto em sua estrutura
técnica, em termos de um serviço público tão essencial. A
CPFL Piratininga até agora não se manifestou oficialmente
sobre o assunto, mas não há dúvidas de que deve explicações
a respeito, isto é, acerca do que está planejando fazer. A
companhia limita-se a informar os investimentos efetuados na
ampliação e modernização de seus sistemas, inclusive na
Baixada Santista, o que é importante mas não basta. Essa
questão da transferência do Centro de Operações para
Sorocaba, por exemplo, exige maiores esclarecimentos, que a
empresa, por sua condição de concessionária de um serviço
público, ao invés de considerar um “assunto interno”, está
na obrigação de divulgar, para conhecimento geral.
Tal cobrança se justifica
porque, pelas falhas verificadas no fornecimento de energia,
de uns tempos para cá, o receio é de que os problemas se
agravem. Que garantias nos dá a CPFL Piratininga de que isto
não ocorrerá? E válida, portanto, a mobilização de
diferentes segmentos da região, visando a que a empresa
exponha com clareza os fundamentos de suas decisões, com
vistas a se tentar evitar que, para cortar custos ou
qualquer outro razão, venha a cometer algum equívoco, a dano
dos interesses da nossa comunidade.
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