MEIO AMBIENTE, SAÚDE e SEGURANÇA do TRABALHO
Regras da logística reversa
começam a ser definidas
A Política Nacional de Resíduos Sólidos só foi aprovada
no ano passado, após 20 anos de tramitação no Congresso
Nacional, e neste ano as regras começarão a ser
finalmente definidas.
A partir de agora, inicia-se um processo sem volta, em
que setores importantes de nossa indústria terão de se
responsabilizar efetivamente por todo o material
produzido e, antes da lei, descartados invariavelmente
de forma errada.
Mas existe ainda um longo caminho a percorrer. Até hoje
apenas alguns poucos setores contemplados no plano têm
se antecipado à lei e buscado soluções de logística
reversa no seu negócio. Há casos de indústrias, como as
do vidro e de latas de alumínio, que já se utilizam
largamente de materiais recolhidos e reciclados.
Inclusive, depois do anúncio do governo para a
instalação do comitê, a Associação Brasileira das
Indústrias Automáticas de Vidro (Abividro) encaminhou ao
Ministério do Meio Ambiente um plano de implementação de
logística reversa para o setor, comprometendo-se a
recolher todo tipo de embalagem de vidro depois de usada
pelo consumidor final.
Para citarmos apenas esse setor, dados da Abividro
indicam que hoje se recicla bem menos do que a metade do
que é produzido – algo em torno de 1 milhão de toneladas
por ano. São garrafas e recipientes usados para bebidas,
produtos alimentícios, medicamentos, perfumes,
cosméticos e outros artigos que vão parar direto no
lixo, correspondendo em média a 3% dos resíduos urbanos.
É bom lembrar que o vidro pode ser totalmente
reutilizado. Um quilo de vidro reciclado rende
exatamente 1 quilo de vidro a ser empregado na
fabricação de novos produtos.
Outra indústria, a de eletroeletrônicos, disponibiliza
desde o ano passado aos consumidores de todo o Brasil um
serviço on-line de informações sobre programas de
logística reversa e orientações para o descarte correto
de televisores, computadores, celulares e outros
resíduos eletroeletrônicos.
Os exemplos ainda são poucos e é necessário acelerar
essa adaptação. Independentemente do ritmo de trabalho
estabelecido pelo comitê criado pelo governo, que nos
próximos meses deverá apresentar o cronograma e os
editais para acertar com cada um dos setores os detalhes
da aplicação da lei, as empresas deveriam se antecipar e
agir buscando adaptar-se o quanto antes a uma nova
realidade sem volta.
Falando da realidade atual, de descarte sem qualquer
consciência, ela é causadora de problemas que vão das
recentes inundações às contaminações do solo e da água e
ao simples desperdício de materiais que ficam se
deteriorando em lugar de servir para a produção de bens.
A lei é ambiciosa, pois estabelece também que todos os
lixões do país deverão ser fechados até o dia 2 de
agosto de 2014. A partir dessa data, apenas os resíduos
que não podem ser reciclados serão enviados a aterros
sanitários, onde serão estocados de forma adequada, para
evitar contaminação. Os municípios com mais de 200 mil
habitantes terão até o dia 2 de agosto de 2012 para
apresentar seus planos de gestão de resíduos.
O problema, ou melhor, a solução apresentada pela
Política Nacional de Resíduos Sólidos não pode ser vista
apenas como uma questão de responsabilidade exclusiva
das empresas, mas sim da sociedade como um todo. Para
que as indústrias possam realizar seu trabalho, será
necessário que os consumidores também façam sua parte,
encaminhando corretamente os materiais para a
reciclagem.
Nesse sentido, seria fundamental a realização de uma
campanha maciça, de alcance nacional, explicando os
benefícios da lei e do recolhimento e reciclagem, para
que os objetivos venham a ser efetivamente alcançados.
Essa comunhão de esforços e ações do poder público, das
empresas e da sociedade é a chave para o sucesso de um
dos mais desafiadores projetos nacionais: a consolidação
de um Brasil alinhado com o século XXI e com os
princípios do desenvolvimento sustentável.
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Fonte: Instituto Ethos
Autor: Cristina Spera e Reinaldo Canto
Data: 27/2/2011